agosto 28, 2009

Eternos Amores Breves

Hoje, meu pai me deu carona até o metrô. No caminho contou-me história sobre algo que ocorreu em sua juventude. Uma história que com certeza ele nunca vai esquecer.

Quando a Escuderia Pepe Legal, qual ele fazia parte, se dissolveu, havia sobrado algum dinheiro no banco e este fora dividido com os membros da turma. Meu pai e um amigo acabaram usando a parte deles para viajar e foram para uma praia. Um dia, andando por um parque, pelo que entendi, avistaram duas garotas que vinham em direção. Então todos pararam e meu pai olhou para seu amigo, que já beijava uma das garotas. Então, ele fez o mesmo. Depois se despediram e cada dupla tomou seu rumo, acenando e olhando para trás.

Ele idealizou aquela garota, mas já era tarde, impossível de encontrá-la. Só depois, quando voltou para São Paulo, se deu conta que aquela poderia ter sido a mulher de sua vida. E com certeza era, e ainda é. Talvez tenha romantizado aquela situação toda, mas essa garota nunca mais saiu de sua cabeça.

O que ele quis dizer com isso eu não sei, foi repentino e não havia assunto com que o fizesse comentar sobre isso. Simplesmente disse. Terminando por dizer “faça deste tipo de amor o mais importante de sua vida”.

Vale a pena?

Wild Tigers I Have Known

agosto 12, 2009

Nico – These Days

Nico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I’ve been out walking
I don’t do too much talking
These days, these days.
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
And all the times I had the chance to.

Eu estive andando
Eu não falo muito
Esses dias, esses dias
Esses dias eu pareço pensar bastante
Sobre as coisas que eu esqueci de fazer
E todas as vezes que eu tive a chance de fazer

I’ve stopped my rambling,
I don’t do too much gambling
These days, these days.
These days I seem to think about
How all the changes came about my ways
And I wonder if I’ll see another highway.

Eu parei de vagar
Eu não jogo muito
Esses dias, esses dias
Esses dias eu pareço pensar sobre
Como todas as mudanças vieram nas minhas direções
E eu penso se eu vou ver outro caminho

I had a lover,
I don’t think I’ll risk another
These days, these days.
And if I seem to be afraid
To live the life that I have made in song
It’s just that I’ve been losing so long.
La la la la la, la la.

Eu tive um amante
Eu não acho que arriscarei outro
Esses dias, esses dias
E se eu parecer estar com medo
De viver a vida que eu criei na música
É só que eu estive perdendo a tanto tempo
La la la la la, la la

I’ve stopped my dreaming,
I won’t do too much scheming
These days, these days.
These days I sit on corner stones
And count the time in quarter tones to ten.
Please don’t confront me with my failures,
I had not forgotten them.

Eu parei de sonhar
Eu não vou fazer muitos planos
Esses dias, esses dias
Esses dias eu sento em fundamentos
E conto o tempo em quatro toneladas para dez
Por favor não me cofronte com meus fracassos
Eu não esqueci deles

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

agosto 7, 2009

Diário de um Assistente de Direção

06/AGO/09

Rafael Fabrício por Erik N. M.

Conversar com Luc as 3h00min da matina: Não tem preço. Hehehehe.

13h10. No cronograma! Hoje não pode atrasar. Último dia de filmagem! Cenas com o carro. Hoje fora uma manhã tranqüila, tudo calmo.

Estou vivo. Não era barbeiro mesmo o bicho que me picou.

18h00min. Hoje está realmente muito tenso. Já foram as cenas do carro e agora estamos preparando as quatro cenas restantes. Está marcado para irmos embora às 22h30min, meu medo é não conseguir concluir até esse horário e ficar mais um dia aqui. Por isso, vou parar de escrever e vou lá trabalhar. Hahahaha.

As vans já chegaram e os pais da Júlia também, mas não são motivos da gente correr e fazer um trampo de merda. Concentração e calma, já atrasamos a porra toda mesmo, vamos em frente!

A dura realidade é que concluímos as filmagens a 1h00 da manhã. Quase tudo aquilo que estava planejado foi por água abaixo. A nossa sorte é ter uma atriz mirim tão intensa e alegre. Mesmo com umas cenas cortadas, o entendimento do filme continua. Vamos ver o que os Produtores Executivos pensam sobre isso.

A volta na van. A volta para casa. A volta para o descanso e uma vida só. Uma casa, um quarto… e eu aqui. Com tanto sono que nem sei mais o que escrever.

07/AGO/09

Não agüentei de sono e não consegui escrever quase nada!

Agora são exatamente 13h26min e acabo de acordar.

Pensando agora sobre esses dias longe de São Paulo, no meio do mato, sendo picado por um alien, estando nas filmagens até de madrugada, pedindo silêncio, fazendo brinks, entre outras coisas, se vale realmente a pena. Se é isso que eu quero. Se esse é o jeito que levarei a minha vida. Bem, é isso sim.

Se for pra sentir esse cansaço, eu quero. E vou continuar sendo teimoso até conseguir fazer isso até a minha morte.

Mas da próxima vez, só vou participar se a história for legal, viu Caetano?

TO DE BRINKS! Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Era uma história muito bonita,e será isso que veremos quando for completamente montado. Eu quero ver o material bruto! Comofas? Naofas?

Ah, porra, chega de piadinhas internas!

Vida longa ao cinema, motherfuckers!

O próximo estágio agora é Judge of Out! E Halfeld.

 

♥ x oo

agosto 6, 2009

Diário de um Assistente de Direção

05/AGO/09

Cena do filme "1,2,3..."

2h00min da madrugada. Ainda não fui dormir.

3h15min. Acabei de matar um pernilongo do tamanho do demo. Alguém ronca aqui no quarto dos realizadores do filme.

08h25. De café tomado, com muito frio e muito sono. Mas tem um sol lindo lá fora. Vamos começar a preparar a cena mais difícil do filme agora. Não podemos, de jeito nenhum, atrasar como aconteceu ontem…

13h00min. Já almoçados e adiantados com as filmagens. Se ninguém dormir no ponto, conseguiremos terminar a diária por volta das 19h00. Com um pouquinho de maldade, podemos adiantar uma cena que seria feita amanhã. Fui picado no braço por um bicho que parecia um pequeno barbeiro e lógico que entrei em choque. A caseira da casa me disse que esse inseto é chamado de Bicho Pólvora (acho que é isso), e a picada dele é bem forte e deixa sangrando a parte em que ele atacou. Hahaha. Mas tá tranqüilo.

São exatamente 18h20min e estamos preparando duas cenas ao mesmo tempo para não deixar nada para amanhã, o último dia de filmagem. É quase impossível adiantar alguma cena de amanhã para hoje, então amanhã será um dia bem tenso. Achei que terminaríamos as 19h00 mas estava enganado. Se conseguirmos terminar antes das dez já ficaria satisfeito. Assim a equipe e os atores poderão dormir para amanhã realizarmos uma concentração coletiva para o desenvolvimento das cenas finais de “1,2,3…”. Pois é… sets de filmagem sempre são uma evolução necessária para todos os amantes desta expressão por trás das câmeras. Que Bergman nos abençoe, amém.

00h:38min. Bergman abençoado! Tudo tranqüilo mesmo com algumas horas de atraso. Amanhã (hoje) é o último dia de filmagem. Várias cenas com o carro, algumas no quarto e o resto na sala. Aqui rola um Free, a famosíssima Alright Now, que é ótima ver com o Rodgers bêbado desdentado.

Acho que por enquanto é isso. Últimas filmagens, voltar pros estudos e ir viajar. Preciso fugir de Sampa o mais rápido possível, que eu já estou ficando sem ar.

O senhor diretor Caetano Grippo sofreu uma lesão na lesão que já tinha na canela. Força aí meu amigo.

De resto, sou brincalhão e gozadinho. *rs* brinks x**.

 

(L) x oo

agosto 5, 2009

Diário de um Assistente de Direção

Foto por Erik N. M.

04/AGO/O9

Acordei com uma pontada na batata por causa da friaca! São vinte pras 08h00min e o pessoal ta animado. Já conversamos sobre a novela Carrossel e as antigas propagandas do 011-1409, hoje Polishop. Facas Guinso, Penaly Fontain Pen e outras merdas.

Estou com saudades de caminhar por Halfeld, pra variar, e foi nisso que fiquei pensando antes de dormir. Logo estarei por lá e materei minha saudade!

12h38min. Terminamos a Seqüência 04 e vamos almoçar. É uma das seqüências mais difíceis, sendo filmada desde as 09h00min da manhã. Tudo tranqüilo e saindo bem. Estou torcendo para que essa atmosfera continue.

13h30min. Hora de voltar pro trabalho. E com sono pós-almoço.

Finalmente terminamos as gravações externas em quase exatos

10 para as 16 da tarde. Caetano decidiu adotar câmera na mão nas cenas em que a personagem principal está sozinha. Um tanto peculiar para quem ama Haneke e odeia Gus Van Sant. Na verdade ele gosta e tem preguiça de falar. Hahahahaha. Aliás eu já disse que esse lugar tem a atmosfera de Funny Games e Last Days, né? Fora isso, está tudo tranqüilo, exceto por eu estar derretendo aos poucos. Vambora filmar! Alalauêi!

Demos uma pausa para lanchar e esperar escurecer para continuar as filmagens. No lanche da tarde a conversa acabou em Sérgio Mallandro.

Estou contente com o desenvolvimento do filme. As 18h00min rodaremos a primeira cena no quarto. A direção de Arte caprichou. É uma cena complicada, com bastante falas para uma não-atriz de oito anos de idade, mas pensamentos positivos sempre ajudam, assim como fingir que tudo não passa de uma grande brincadeira.

Acabamos atrasando as gravações das 18h00, fazendo com que terminássemos agora a pouco. O problema é a atriz mirim está com dor de cabeça e possivelmente perderemos uma cena que só seria possível filmar ainda hoje. Infelizmente, não há o que fazer… Estou cansado e quero dormir.

É meia-noite e estamos preparando a última cena, que seria do dia 04. Bem, como Coppola diz, toda a grande realização costuma atrasar seus prazos.

1h30min. Encerramos as filmagens do dia 04. Ok, um pouquinho atrasados. Todo mundo zombificado, capotando de sono. Daqui a pouco, mais precisamente as 7h00min, estaremos todos de pé mais uma vez em nome da Sétima Arte. Sangue, suor e cinema.

agosto 4, 2009

Diário de um Assistente de Direção

03/AGO/09 – TERÇA-FEIRA

Qualquer semelhança...

Dia de viagem cinematográfica! Tanto no requisito de experiência em set como em viagem literalmente. Nesse momento (14:45) estamos a caminho de Atibaia. A minha manhã não foi das melhores, já que sofri mais uma vez com a merda do ônibus elétrico, o Trolebus Praça da Sé. Com poucos trocados tive que pegar um táxi até uma gráfica da Rua da Mooca e depois andar com uma mochila e uma mala pesadíssima até o Metrô Bresser. Sim, fiquei puto. Ok, ok… Tudo pela sétima arte!

Cheguei a casa do Caetano e mais problemas, os atores não haviam recebido o roteiro de “1,2,3…” e não sabiam que horas a van os pegariam em suas residências. Ok, tudo resolvido. O grande problema é que eram 11:30 da manhã e, o que era pra ser uma van, acabou sendo uma Kombi para deficientes mentais…. É sério! Muito pouco espaço para as coisas valiosas e necessárias para a construção do filme como um todo. Bem, sendo assim, eu, a Roberta (Direção de Arte) e a Laís (Som Direto) fomos na frente. O resto ficou para ir com as vans de equipamento, atores etc. e tal.

Nesse momento rola aqui “Roach Daddy” do Slade e pela janela vejo esta paisagem bucólica de estradas paulistas. O ventinho já começou a mudar e é um pouquinho mais gelado, o que é bom. Disseram que lá onde se localiza a casa – que ficaremos até a noite de quinta – o clima tende a ficar entre 6°/ 5° na madrugada! Uau! Congelante!

Preciso de um cigarro, mas, infelizmente, estou maneirando nas pitadas.

Os seguranças do condomínio fechado demoraram mais de 15 minutos para liberar a entrada, parecia uma revista da Gestapo com direito em dizer o último número do RG, fotos e cadastros. Como sempre, tive que tirar um sarro dessas burocracias e tirei uma foto de sorriso aberto saindo pela janela da Kombi.

Lembrei de imediato de Last Days do Gus, vindo pela estrada até chegar no condomínio fechado. E aqui dentro, a cara é de Funny Games! Dá até medo. Hahahaha.

Chegamos e descarregamos as coisas, vamos começar a produzir o quarto da Menina do filme e reparar no som ao redor da locação. Boa receptiva e logo logo vamos comer um lanchinho. É quase 16:20 e eu ainda preciso de um cigarro.

Na hora do lanche comentamos sobre um dos atores que irá participar de “1,2,3…” e a conversa acabou em Pasolini, seu polêmico assassinato e “Salò ou Os 120 de Sodoma”, pois este ator participou de uma das montagens de 120 de Sodoma do Satyros.

Quase sete horas da noite, consegui achar um benjamim para carregar o lap aqui. O resto do pessoal já está a caminho. Uma reuniãozinha hoje e amanhã de manhã começar a rodar as externas. A direção de arte ta mandando a ver aqui. Rolando um Miserylab aqui, eita banda boa!

Já são oito horas, a Roberta, a Laís e eu já jantamos e nada do resto aparecer… nem equipamento, nem Caetano, nem nada. To começando a ficar preocupado… Tá certo que a estrada é meio complicada, mas estão muito atrasados.

Dez horas… nada da equipe.

Liguei para a Cláudia Capelini (Produtora). Estão na Fernão Dias. Atrasaram, mas já está tudo bem.

23:45, todos aqui. Felizes, sadios e contentes. Todos empolgados para amanhã. Vamos começar acertar as coisas para manhã.

É fato: esse lugar é gelado pra cacete! Mas eu gosto dessa friaca!

julho 29, 2009

Vanians got a visit from a guy named Drac

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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There’s a hole in the world like a great black pit and it’s filled with people who are filled with shit! And the vermin of the world inhabit it!

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.theperfectsleep.com/

julho 28, 2009

Manchadas de Batom…

Decidi levantar. Estava muito embriagada e meus sentidos falhos. Minha maquiagem borrada, meus cabelos bagunçados, faltava-me um brinco, e sentia que adiara demais a ida ao banheiro. Minha bexiga estava explodindo! Corri abrindo caminho na multidão e graças a deus estava de saia. O banheiro estava um horror. As garotas são garotos sem torneira.

Saí do banheiro e só fui reparar que estava com o salto quebrado quando me aliviei. Coloquei o pé descalço naquele assoalho gelado e molhado de não se sabe o que, imaginemos que fosse água para eu me tranquilizar, e saí. Sentei novamente onde estava e fiquei esperando. Eu gostava de ficar esperando.

Naquela noite, antes que qualquer pessoa me telefonasse eu já estava vestida e pronta para sair. Minha vida é assim, os encontros eu faço por aí, não preciso de convites nem de relacionados. Cada dia é um dia, e a diferença acaba se transformando em rotina. Sabe, o tempo inteiro fugindo do normal acaba sendo tão normal, que, às vezes, eu fico me imaginando vestida num terninho social, atrás de uma mesa, atendendo clientes. Não que eu não tenha os meus, mas deve ser interessante o contato de pessoas que não te deixam marcas de dedo pelo corpo.

Mas esta é minha vida, meu querido! Não se pode mudar uma vida de uma paulistana de vinte e cinco anos. Cristalizados quatro anos de experiência. Meu Deus! Eu não sei fazer nada além de posições sexuais performáticas. Tá certo, escrevo alguns poemas, arrisquei um talento musical quando produzia testosterona em maiores quantidades, mas todo mundo acabou me fechando as portas. E a realidade é que eu enjoaria muito mais rápido de uma rotina de escritório do que desta vida esquisita.

Meus pais sonharam com o que? Advocacia, medicina, engenharia, até professor! Vai, se gosta de escrever que faça letras! Jornalismo! Fica no computador o tempo inteiro, então faz Webdesign, alguma coisa você tem que prestar!

Estou prestando. Pode-se dizer que, numa sociedade capitalista, eu sou um produto inesgotável e indispensável para todas as camadas sociais. Japonês, negro, solteiro, casado, empresário, operário, eu só não dormi com padre em minha vida. Pelo menos nenhum vestido numa batina e identificado como tal. Acho que eu não conseguiria. Talvez seja esta a minha chance de quebrar a rotina.

Já sei! Assim que decidirem encerrar o expediente, vou pra casa, tomo um banho e rumo direto à igreja. Aí tento fazer com o padre o que fiz com um pai e um filho há dois dias, uma cruzada de pernas, um decote atraente e um convite para subirmos ao quarto mais aconchegante do hotel. Foi meio nojento ouvir o velho torcendo pelo garoto no momento de nossa intimidade, mas tudo é festa, tudo é farra.

Uma luz forte se acende no salão. Aquilo é como um alarme pros insetos presentes. Correm como formigas e aos poucos vão todos desaparecendo. Sinto gosto de sêmen na minha boca, mas não me lembro de ter engolido nada. Como de costume, sou a última a deixar o puteiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ricardo Celestino.

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Parece rasgação de seda, mas é que o menino tem talento! Pelo que sei, isso faz parte do Lipstick Killer, um romance que Richard The Drummer está escrevendo. Eu tenho aqui algumas páginas e a história está indo num ritmo bem interessante.

Gosto da literatura como um mero apreciador, arrisco meus contos, alguns poemas esdrúxulos, rabiscados em papéis pelo banheiro, mais como uma forma de penetrar nessa sensação de escritor do que como uma mídia a seguir. Acho fundamental a literatura, por mais injustiçada que ela seja, se os escritos tratarem das coisas reais, dos sabores escondidos, dos segredos sussurrados nos becos noturnos. De longe, a forma de expressão mais livre e libertária. De outro a mais solitária. Existe alguma lei de incentivo à literatura? E, se esta existisse, será que beneficiaria mais aqueles que já estão no topo (como acontece em Cinema)?

O que eu gosto dos textos do Ricardo é a forma que trata com sinceridade os temas que aborda, sendo o submundo ou as raízes tupiniquim, sem se perder em chatices dos olhares pequeno burgueses que parecem estar em alta nos dias de hoje. Ele realmente viveu aquilo que escreve, mesmo se o escrito é de algo que viu e observou a distância. É o que eu pretendo fazer no cinema. É o que todos deveriam fazer.

Estou imensamente curioso para saber onde este romance vai chegar. Manda bala aí, meu velho Richard!

Aproveito para deixar meu carinho e sorte para meu querido amigo Ciro Ciro que está indo mochilar pelas bandas da Europa. Ele vai ver o The Damned ao vivo (cuzão! Hahahaha). Já fiz minha listinha das coisas que quero e, assim que ele retornar, nos banharemos no álcool! Vai lá Cirots, mande lembraças ao David Vanian, ao Eric Rohmer e ao Bruno Aleixo!

Fiquem bem, todos bem.

Erick Martorelli lê Robert Mussil “O Jovem Törless”, escuta Wavves “Wavvves” e assiste Nicolas Roeg "Don’t Look Now".     

julho 27, 2009

6 FILMES QUE QUERO VER

Voltando com a listinha dos seis filmes, trago inúmeros lançamentos. Parece que este ano promete e isso me deixa muito feliz.

Alguns insanos me perguntaram porque raios eu coloco seis filmes. Acho uma pergunta fecal.

Vamos aos filmes!

ANTICHRIST – LARS VON TRIER

ANTICHRIST – LARS VON TRIER

Chocando a platéia do festival de Cannes, Lars Von Trier volta com uma fome voraz com seu mais novo filme: O Anticristo. A história ronda em torno de um casal que, após a morte do filho, vão a uma cabana tentar curar seus ferimentos no relacionamento que os uni e em seus corações partidos. Eventos estranhos começam a acontecer na floresta onde estão e, então, descobrem que estas forças são governadas pelo Diabo, que governa o mundo. Com Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg nos papéis principais, o longa é rodado na Polônia. Imperdível com toda a certeza. Para assistir no colo do Coisa Ruim!

 

THE LIMITS OF CONTROL – JIM JARMUSCH

THE LIMITS OF CONTROL – JIM JARMUSCH

THE LIMITS OF CONTROL – Isaach de Bankolé

Sou fã de Jarmusch! Adoro seus primeiros filmes de universo pós-punk, concentrados no tédio, na busca de identidades e das relações. Agora, após o belo Flores Partidas, Jarmusch nos presenteia com The Limits of Control. Pelas terras espanholas, um assassino está em mais uma de suas missões. Em processo de conclusão deste trabalho, sem confiar em ninguém e com objetivos não divulgados, faz com que este trabalho não só leve-o por toda a Espanha, mas também para dentro de sua mente. Filme existencial com um ótimo elenco. Gael García Bernal, John “Fuckin’” Hurt, Bill Murray, Isaach de Bankolé entre outros. Simplesmente obrigatório.

 

LOS BRAZOS ROTOS – PEDRO ALMODÓVAR

LOS BRAZOS ROTOS – PEDRO ALMODÓVAR

Sem dúvida alguma Almodóvar é um dos diretores vivos mais importantes. Foi o cara responsável em deixar-me sem fôlego numa seqüência de filmes maravilhosos e magníficos. E com certeza, um dos que me incentivaram a seguir para o cinema – após assistir La Mala Educación sozinho, numa sala de cinema de shopping completamente vazia, ainda adolescente. Em Los Brazos Rotos, a história gira em torno de um triângulo amoroso. Penélope Cruz interpreta uma provinciana aspirante a atriz, ao lado de Lluís Homar, Blanca Portillo e José Luis Gómez. Bem Almodóvar pelo que parece. Dizem por aí que o filme é fraco, pouco envolvente, mais do menos e de nota ruim no IMDB. Bem… foda-se o IMDB.

 

STONE – SANDY HARBUTT

STONE – SANDY HARBUTT

Stone

Sendo leitor do blog Quixotando, certa vez me deparei com um documentário de babar ácido sulfúrico pelo olho (aquele nosso ciclope). O documentário, Not Quite Hollywood, que conta sobre a Ozploitation sem censuras, pudores e de um jeito divertidíssimo.

Depois que um membro do moto-clube chamado “The Grave Diggers” é testemunha de um assassinato político, todos os membros são perseguidos e muitos são mortos. Sendo assim, eles permitem que um policial infiltrado, chamado Stone, acompanhe-os para descobrir quem é (ou são) o assassino(s). Porém, Stone começa a se indentificar com os Diggers e com seu líder, The Undertaker. Este é o Easy Rider australiano, que mistura romance policial, cenas gore, motoqueiros selvagens em alta velocidade e lealdade. Obrigatório para os fãs de grindhouse, exploitation, road movies e de tudo mais “undergorund” que o cinema já produziu. E um prato cheio para aqueles que somente querem se divertir.

 

DAS WEIßE BAND – MICHAEL HANEKE

DAS WEIßE BAND – MICHAEL HANEKE

The White Ribbon

Haneke para cutucar o cerebelo. Filmado em preto e branco, A Fita Branca nos mostra os estranhos eventos que acontecem em uma escola rural no norte da Alemanha, as vésperas da I Guerra Mundial, durante o ano 1913, que parecem ser rituais punitivos. Por mais que digam que Haneke teve intenção de apresentar as sementes do nazismo em seu filme, o próprio diretor respondeu que esta história poderia ser transferida para qualquer outro lugar. Pelo que vi por aí, lembra muito Bergman e Béla Tarr. Mas com certeza vai parecer mesmo é com puro Haneke!

 

E como sou um tupiniquim apreciador das cutucadas nas olhótas deste país:

OS MONSTROS DE BABALOO – ELYSEU VISCONTI

OS MONSTROS DE BABALOO – ELYSEU VISCONTI

Comédia experimental de terror sobre as relações de poder num país imaginário. Uma família grotesca vive subordinada ao grande orixá babaloo. Uma fábrica de banana e outra de jiló controlam a economia local.

Completamente censurada na época de seu lançamentos, por decorrências da ditadura militar, Os Monstros de Babaloo é um comédia ácida e uma crítica visceral à classe média moralista no período ditatorial do Brasil. John Waters encontra Sganzerla, ou até antes disso.

OS MONSTROS DE BABALOO – ELYSEU VISCONTI

Fiquem bem, todos bem.

Erick Martorelli lê Robert Mussil “O Jovem Törless”, escuta Wavves “Wavvves” e assiste Jean Eustache “La Maman Et La Putain”.

julho 25, 2009

Vivo e Aparecendo (Ou Bernays Propaganda & Wavves)

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Graças aos meninos do Orgia Para Ouvidos, aí vai duas músicas massas. Aproveito também para dizer que estou participando do Cinematutando e está sendo divertido. Mas isso não quer dizer que irei abandonar meu antro.

Outro dia eu volto com cuspes novos por aqui.

Fiquem bem, todos bem.